terça-feira, 31 de outubro de 2017

Algarve 2017 - Parte II - Eleonora com Trabalho

25/09 Sagres
Falcão-de-Eleonora



O dia começou cedo, com uma visita às sombrias. É uma ave espetacular, que não vejo muitas vezes. Tento sempre aproveitar as idas a Sagres para matar saudades.


Sombria
 
De seguida avancei para o porto. Era dia de pelágica. As mais de cem pardelas-de-barrete que apareceram deram show. Vocalizaram, mergulharam, nadaram e, curiosamente, até voaram.


Pardela-de-barrete

Pardelas-de-barrete

Caos!

Depois, foi mais um dia na Cabranosa. Lá estávamos nós, no posto de observação a meio da manhã quando, de repente, o João Tiago Tavares, que estava a guiar um grupo de Dinamarqueses a uns cinquenta metros do nosso posto, assobia na nossa direção. Quando viramos a cabeça ele aponta na direção de um falcão, mesmo por cima de nós. Vi um falcão relativamente grande, tipo peregrino mas mais escuro. A ave ainda se demorou por alguns segundos. Como não vejo Eleonora todos os meses, nem todos os anos, confesso que não me apercebi bem do que estava a ver. Os falcões são sempre muito rápidos. Alguém da Strix ou da Ecosativa terá gritado “Eleonora”. Com a minha desconfiança habitual, dirigi-me ao grupo do João Tiago. “Confirmado!” – disse. “Temos fotos e tudo!”. 

Falcão-de-Eleonora (foto João Tiago Tavares)
Bum! A minha terceira observação de sempre, e pertíssimo. Como exigente que sou, fiquei aborrecido por não o ter reconhecido imediatamente. Enfim, nada é perfeito.


Falcão-de-Eleonora (foto João Tiago Tavares)


26/09 Sagres
Mais um dia de trabalho


Foi um dia “normal” na Cabranosa. Passaram duas cegonhas pretas, dois abutres-do-Egito, quatro pernis, uma Bonelli, um cyaneus, um açor, entre outras coisas. Tudo “normal”.



Bútio-vespeiro Frankenstein

No Facebook limitei-me a colocar “Mais um dia de trabalho…”, com umas fotos razoáveis da bonelli – um juvenil – e de um pernis, entre outros.


Águia-de-Bonelli juvenil

Foi com base neste post que, dias mais à frente, me começaram a questionar se o “Trabalho” estava a correr bem. O Georg, por exemplo, com os seus “rrr” carregados. “O Trrrrabalho está a correr beem?


Deixo aqui um agradecimento ao João Tiago pelas fotos e pelo assobio. Abraço!

sábado, 28 de outubro de 2017

Algarve 2017 - O Amigo Necas - Parte I - O Início

Este ano, as férias de birding no Algarve foram memoráveis. Talvez as melhores de sempre. Quase três semanas completas, que tiveram direito a duas lifers, um novo amigo, posts no Facebook e muitas aves de qualidade. Muitas peripécias, emoção e, sobretudo, diversão com fartura. Os acontecimentos desenrolaram-se em crescendo de dia para dia. Nada fazia prever o que se passou e ainda por cima começou tudo muito mal. Logo ao fim de três dias, o meu bem-amado Leica levou um chuto do vento e caiu ao chão. A óptica sobreviveu, mas partiu-se uma peça importante. Catástrofe! Já ia entrar em despesa. Fiquei aborrecido mas, curiosamente, a fúria não se instalou e, melhor ainda, não entrei em depressão. Não é que um telescópio seja essencial na actividade, mas ajuda muito, sobretudo em locais como os Salgados e a Cabranosa. Com alguma arte e engenho e sorte, claro, passadas 48 horas tinha na mão um Opticron Travelscope. Leica, até já.
Mas tristezas leva-as o vento. Adiante com as férias. A partir de certo ponto, quase tudo o que se passava era tão inusitado que resolvi escrever um relato.
Aqui está o que se passou, pelo menos em alguns dos dias. E juro, é tudo verdade!

22/09 Salgados
Cegonha-Preta!


Mais um dia de birding onde tudo se parecia encaminhar para a normalidade.
Contudo, desta vez o Lars tinha combinado ir ter comigo à tarde. É sempre bom contar com reforços.
A volta foi a do costume. Primeiro no observatório, que estava fraco. Eu sugeri que fossemos para o passadiço. Sempre se via mais qualquer coisa…
E lá fomos observando e conversando. De repente, o Lars solta um “cegonha-preta!” Terei achado que ele estaria a falar de uma cegonha-preta em geral? Penso que o meu cérebro não processou a informação por ser demasiado estranha. A verdade é que não reagi. Então ele repete “está ali uma cegonha-preta!”. E estava.





“Onde?” – perguntei. “Ali em voo!” – respondeu. Com os nervos, ainda demorei alguns segundos a perceber as indicações. Vi-a em voo e a pousar na margem da lagoa. Alguns alemães curiosos quiseram saber do que se tratava, e nós lá mostrámos. Até em alemão falei, para chamar uma senhora para ver no meu telescópio. O Lars avisou o Tiago Guerreiro e o Carl Hawker. O Carl – que eu não conhecia - demorou cerca de dez minutos a chegar. Conseguiu ver o animal sem dificuldade. Já o Tiago teve mais problemas. Chegou meia hora antes de escurecer, e o bicho já tinha ido à sua vida. Ele lá ficou, com o seu braço partido e cara desconsolada. Eu ainda tentei animá-lo ao dizer que, uma vez que a cegonha já tinha desaparecido de vista por uns minutos e reaparecido uma vez, podia ser que voltasse a fazer o mesmo. E fez. Toda a gente ficou contente, com boas observações de um juvenil de cegonha-preta.




Esta foi a minha primeira observação desta espécie nos Salgados. Terá sido aí que comecei a perceber que estas férias não iriam ser iguais às outras?
A verdade é que fiquei entusiasmado e fiz o meu primeiro post no Facebook do que viria mais tarde a ser chamada a “série mete-nojo” por alguns amigos. Nada de especial, apenas um lacónico “Cegonha-preta, Salgados. Apenas uma foto de registo. Não se vêm muitas no local”.




quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Revolução em Portimão - 25 de Abril de 2017


14:00 Mail do raridades (Nelson Fonseca) - Limicola falcinellus na ETAR da companheira
14:01 SMS para Pedro Ramalho - Comeke vamos ao falcinellus agora?
14:02 SMS de resposta - Qual falcinellus?

 
Assim começou mais um twitch memorável (mítico, nas palavras do Pedro Ramalho).
A angariação com tão pouca antecedência não correu muito bem e seguimos para Portimão com uma equipa reduzida de dois elementos, eu e o Pedro.
Saímos de Lisboa por volta das 15h30. Durante a viagem ficou claro que não iria ser um twitch fácil por várias razões. A maré estava baixa, os acessos ao local eram complicados, para dizer o mínimo, e teríamos pouco tempo para procurar o bicho. Mesmo assim, após uma última deliberação, decidimos avançar. Quem não arrisca, não petisca.
Falta dizer que o joelho continuava a não estar recuperado e que saí de casa preocupadíssimo e com a minha mulher preocupada pelas mesmas razões. Seria desta que acabava com o joelho de vez?



Limicola falcinellus (foto Nuno dos Santos)

Durante a viagem contactámos o Nelson Fonseca, descobridor da ave, e o Nuno dos Santos, um birder/twitcher algarvio que chegou ao local antes de nós. Cada vez estava mais claro que não iria ser fácil. Os acessos mais próximos estavam vedados e iríamos ter de caminhar cerca de dois quilómetros para chegar ao local onde a ave tinha sido avistada. E nem um portimonense que encontrámos no local conseguiu ajudar muito. O atalho que ele propôs e nós seguimos era mais um trabalho do que um atalho. Pobre joelho...
Ao fim de meia-hora de caminho, lá chegámos ao tanque pretendido. Como previsto, já lá estava o Nuno dos Santos, acompanhado do Lars Gonçalves, outro birder algarvio. Da ave nem sinal. Procurámos, procurámos e nada. Uns albas em muda ainda deram para assustar, mas faltava o o pequeno pormenor do supracílio em V. Começou a pairar no ar a sensação de fracasso. O ambiente estava pesado. Entre outras pérolas, ouviu-se "estamos f***dos... Uns mais que outros!", "então? vamos embora?".
Passada uma hora, resolvemos voltar para trás e verificar a vaza do rio, para procurar nos bandos de limícolas e ver se o falcinellus estaria com eles. Ao fim de umas centenas de metros, e dada a pouca abundância de aves, o Pedro Ramalho saíu-se com a frase "ainda temos meia-hora de luz, vou voltar para trás e procurar uma última vez". Também sugeriu que eu ficasse para trás, para não esforçar ainda mais a minha articulação doente. Eles avisavam-me em caso de haver novidade.



Limicola falcinellus (foto Nuno dos Santos)
E pronto. Foi assim, sem mais nem menos, que entrámos na twilight zone.
Eu fiquei a vê-los ir andando, e liguei à minha mulher a contar-lhe do fracasso. Eles cada vez mais longe e eu cada vez mais só. Comecei a lembrar-me de outro twitch mítico, o do abelharuco-persa, em que foi precisamente quando nos separámos que o bicho resolveu aparecer. E qualquer coisa na minha cabeça me disse, exactamente nesse momento, que não ia sair de Portimão sem o bicho. De repente fiquei convencido que iria, de alguma maneira, ver um Limicola falcinellus nesse dia.
As aves do rio eram poucas e resolvi ir vendo o que eles faziam com os binóculos.
Durante uns dez minutos vi o Pedro Ramalho e o Nuno dos Santos irem espreitando pelos telescópios e o Lars a olhar alternadamente pelos binóculos e para o rio. Tudo indicava que não havia ave à vista.
Até que, de repente, os vejo mais concentrados e o Pedro a pegar subitamente em qualquer coisa, que assumi ser um telemóvel. O meu telefone tocou, dizia "Pedro Ramalho". Quando atendi, só ouvi uma palavra "CORRE!!!".
Correr, não corri, mas andei bastante rápido. Quando cheguei ao pé deles, o bicho não estava à vista. Ainda soltei um mais que adequado "f***a-se!!!", mas o bicho portou-se bem e reapareceu passado dois minutos. E o resto é história.
Com o sol a pôr-se não conseguimos grandes fotos nem filmes mas, lá está, o óptimo nem sempre é possível.
Já com a barriga cheia, fomos jantar num shopping local. Seguimos para cima tarde e a más horas. Nesse dia dormi descansado. Todos os malandros têm sorte. E o joelho? Esse também sobreviveu...


Deixo aqui um agradecimento ao Nuno dos Santos pelas fotos. Abraço!

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Odisseia do Sula - Sete Meses de Sofrimento


O Sula leucogaster ou Alcatraz-pardo era, desde há uns anos, uma ave do topo da minha lista de desejos.
Acabei por a conseguir ver no Brasil em 2016, em Ubatuba, mas bastante longe e em voo, o que só aumentou o meu desejo de a observar com mais qualidade.

No dia 26/07/2016, uma terça-feira - é sempre durante a semana - caiu do céu aos trambolhões a notícia de um Sula em Sesimbra, numa zona bastante inacessível, a Cova do Calhau. Observado no Sábado anterior por alguns praticantes de caminhada como o José Pedro Calheiros, Pedro Sousa, que o fotografou, e outros. Segundo consta, terão achado o bicho esquisito, e resolveram averiguar. Apareceu a foto no grupo do Facebook "Aves de Portugal" e o resto é história. 

De imediato, começaram as movimentações por parte dos aficionados para tentar ver o animal. Os esforços iniciais dos mais afoitos começaram logo no dia seguinte, quarta-feira, mas foram infrutíferos. Além disso, também ficou mais que confirmada a inacessibilidade do local. 

Do sucedido resultou uma ideia do Luis Gordinho, de tentar localizar o sula por mar. Achei a ideia interessante, e disponibilizei-me de imediato para participar nesse esforço. No domingo 31, lá fizemos essa tentativa. Eu,  o Luis e o Pedro Inácio, que se juntou ao grupo.
A verdade é que não tivemos sucesso. Seja por não termos ido à melhor hora, ou por não nos termos concentrado numa zona específica, ou por realmente ele não estar por lá, ou porque resolveu estragar-se os planos, do bicho nem sinal. Nem por terra nem por mar. Aparentemente já teria ido à sua vida.
E assim, com os dias a passar um após o outro, o Sula foi caindo no esquecimento. Longe da vista, longe do coração. 


Mas, como com bichos as previsões saem quase sempre furadas, no dia 25/09/2016, um domingo à noite, surge a notícia, via José Frade, de que o bicho estava de volta ao local. Teria sido avistado no sábado por alguém de uma empresa de mergulho que passou de barco perto das rochas referenciadas como pouso habitual. Dois meses depois da notícia inicial.
Como parêntesis, há que referir que eu tinha ido de férias para o Algarve precisamente no dia 24/09, e que só planeava voltar domingo, dia 08/10. A vida de um twitcher nunca é fácil. Lá fiquei eu no Algarve a roer as unhas enquanto a malta ia vendo o Sula cá em cima.
No dia seguinte, uma segunda, o Pedro Ramalho e o Luis Gordinho conseguem finalmente o tick. O José Frade e outros conseguem fotos espetaculares a partir de um barco. E a lista continuou, comigo a assistir de longe, em sofrimento. Nem a minha observação de uma felosa-boreal, a segunda de sempre em Portugal, em conjunto com o António Gonçalves, me conseguiu fazer esquecer o “Sula de Sesimbra”.
As observações continuaram a bom ritmo. Com mais ou menos dificuldade, a certa altura já toda a gente tinha visto o bicho. Menos eu. Resolvi vir para cima um dia mais cedo, para poder tentar o bicho no domingo. A última observação conhecida na altura era a do Miguel Berkemeier, na quarta dia 5/10. Havia, portanto, uma boa possibilidade. Ele já se tinha aguentado lá tanto tempo…
E dia 9/10 eu, a Sandra, o José Frade e a Ana Isabel Frade combinámos ir em conjunto. Quando chegámos ao posto de observação cá de cima, nada. Esperámos meia hora, nada. Resolvemos descer a ravina, uma autêntica descida aos infernos. Chegámos lá abaixo, nada. Esperámos duas horas, nada. Havia que dizê-lo com frontalidade, estávamos à vista de um falhanço. Os trinta quilómetros de regresso a casa pareceram trezentos. Esta doeu, mesmo fisicamente.
Não satisfeito, e como a esperança é a última a morrer, ainda lá voltámos no sábado seguinte, dia 15. Nada feito. Dessa vez, ficámos cá em cima a observar e esperámos notícias por parte de outros observadores – João Tomás e Francisco Fernandes - que desceram lá abaixo. Nada de nada. Novo dip. Novo regresso a casa penoso.
Custou, mas mais vale de Sesimbra do de que Esposende…

E foi com todo este histórico que chegámos a 22 de Fevereiro de 2017, dia em que o Gonçalo Elias, via grupo raridades, passa a notícia de que o Paulo Catry, de barco, teria avistado o sula no sítio do costume. Realmente não se pode estar descansado, nem há previsão que resista à imprevisibilidade dos bichos. Mais uma vez a notícia surge durante a semana, numa quarta à noite. Até sábado havia uma longa espera. Será que o Sula podia esperar?  

O dia 23 e 24 mais pareceram ter 24 dias em vez de 24 horas cada um, mas lá acabaram por passar. E enfim chegámos ao dia 25, à minha quarta tentativa para ver “o desejado”.
Após uma noite mal dormida - mais uma - acordámos às 6 da manhã, com o objetivo de sair às 6h30.
Senti-me calmo e descontraído. Não estava nervoso nem stressado. Não tive muita pressa, o que acabou por resultar numa saída por volta das 6h40. Já na garagem lembrei-me que me faltava a água e as bolachas. Voltei a casa. Mais cinco minutos de atraso.
Seguimos para Sesimbra numa viagem sem história e estacionámos no início do trilho. Seria desta? Teria de voltar a descer aquela ravina infernal?
Começámos a andar. Ao fim de cinco minutos lembrei-me que tinha deixado os sticks de treking no carro. E desta vez iria mesmo precisar deles, uma vez que o joelho não estava muito contente. Durante a semana tinha havido ida ao ginásio, inúmeras escadas no Estádio da Luz, metro, enfim...
Mais dez minutos de atraso. Decididamente, não estávamos a começar bem.
Aí veio-me à cabeça um dos últimos twitches, então que o Pedro Nicolau adormeceu, esqueceu-se de quase tudo excepto da cabeça, estava coxo, etc. Tivemos um atraso de mais de uma hora em relação ao previsto. Mas, a verdade, é que no final vimos o bicho. E nem sequer foi no final, foi logo à chegada.
Seria um sinal para o Sula?

Lá regressei com os sticks. A meio caminho ouvi o que me pareceu ser uma felosinha-ibérica. Parei para confirmar e tirar uma foto. Mais um atrasozito. A Sandra, mais tarde, disse-me que na altura pensou se eu estaria parvo, ao parar para uma felosinha.
E lá chegámos ao posto de observação de cima, com vista sobre o rochedo, por volta das 8h15, uma hora depois do nascer do sol.
Que surpresa! O Sula não estava lá, ou pelo menos não estava à vista. Só os corvos-marinhos e as gaivotas do costume. Ou seja, o meu pensamento na altura foi "onde é que eu já vi este filme?"
Começámos a fazer contas para decidir a que horas começar a descida, no caso do bicho não aparecer enquanto estivéssemos ali em cima, no "anfiteatro". Decidimos que, pelo menos até às 9h30 não nos íamos mexer. E lá nos instalámos, no "conforto" do monte de pedras. Começámos a espera. Leia-se, "a seca". Nas duas tentativas anteriores tinha sido mesmo uma grande "seca", com o bónus de uma descida aos infernos.

Não se passou nada de especial durante um bocado. O movimento do costume. Corvo para cá, gaivota para lá. Corvo no rochedo levanta a cabeça, gaivota poisa no rochedo. Então, por volta das 8h30 ouvimos um grasnar esquisito, que não reconhecemos. Vinha de lá. Mais uma volta com os binóculos e sem saber muito bem como, o Sula materializou-se. Lá estava ele, tal e qual como uma cópia do desenho do guia. Nessas alturas, temos de olhar várias vezes e voltar a olhar, para finalmente acreditarmos no que estamos a ver. Mas não, não era uma miragem. O bicho continuava lá. "Olha! O bicho está ali!", disse eu à Sandra. Sim. Nada de muito lapidar, "o bicho está ali! " foi só o que saiu. E lá começou a fase dois, de ver bem, e a três, de documentar. Felizmente, conseguimos fazer isso tudo. O único senão foi o bicho estar distante. Mas, como dizia alguém "tomaram muitos!". O ótimo é inimigo do bom.
O Sula esteve à vista até às 8h55, altura em que resolveu ir para o outro lado do rochedo. Ah malandro! Então foi daí que apareceste?! Estava explicada a materialização meia hora antes.

Vitória!!!
Ele ainda resolveu voar em redor por uns instantes, mas pousou sempre fora da vista, do "lado negro" da rocha.
Ainda esperámos até às 11h, para ver se ele resolvia aparecer, mas nada. Nem barcos nem mergulhadores. Nada o moveu.
Confesso que ainda hesitei a pensar se descia outra vez lá abaixo pela ravina do inferno, mas foi só por uns segundos. Desta vez o joelho podia descansar. Não convém abusar da sorte.

A grande lição desta aventura é que, pelos vistos, o melhor é estar descontraído. Os bichos fazem o que bem lhes apetece.

--Xofred