quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Algarve 2017 - Parte VII - Já não se pode estar descansado!

06/10 Sagres
Pomarina parte 3

Sexta-feira, dia de trabalho, “trabalho” e de Festival.
O dia começou no Cabo de S. Vicente. Tinha aparecido um Sula leucogaster no dia anterior. Estivemos lá até às 9h30 e não houve sula para ninguém. No Cabo recebi notícias de uma inornatus em Sagres, nos jardins de um hotel. Porque não passar por lá? Resumindo, nem sinal da inornatus. Onde andava a onda?
 
Águia-pomarina

Segui para a Cabranosa. Não estava lá há muito tempo quando surge a notícia de que o Thijs tinha visto uma Pomarina perto do forte do Beliche, mas muito alta. Vim mais tarde a saber que afinal foi o Vasco Flores Cruz que a viu e o Thijs que a identificou – whatever. Mais uma? Imediatamente avisei alguns amigos do norte - Paulo Ferreira, António Martins e o Samuel Patinha - que andavam algures a ver a Natureza - que é muito bonita - para virem rapidamente para o posto. Eles e outros tantos vieram o mais rápido que conseguiram. A verdade é que, na Cabranosa ninguém logrou pôr a vista em cima do bicho. O tempo foi passando, minuto após minuto. O ambiente ficou ainda mais pesado quando o João Tomás e o Paulo Belo trouxeram a notícia de que, quando estavam no estacionamento, a 100 metros de distância, tinham visto bem a águia, juntamente com um peneireiro-cinzento. Parecia impossível. Tantos olhos por ali e ninguém tinha conseguido ver nem a águia nem o peneireiro. Verbalizei o que estava a pensar e o resultado foi que o Filipe Canário, que estava de serviço nesse dia, me repreendeu a dizer que há muitos anos não tinha a pretensão nem a arrogância de conseguir ver todas a aves que passam num dia num determinado local. Eu também não tenho nada disso, mas lá que parecia estranho, parecia.

Abutre-do-Egipto juvenil

Mas quem estava a sofrer – não era o meu caso - não teve de esperar muito. Passado nem meia hora, começou a ver-se um “mosquito” ao longe. Passaram uns longos segundos até que se ouve a voz do Filipe Canário. Disse qualquer coisa do género “Até pode ser, mas não quero ficar muito nervoso sem razão”. Mais uns segundos, o mosquito já era uma mosca. Por mim já estava confirmado. Ouve-se de novo a voz do Filipe, “têm as câmaras preparadas?”. A  Pomarina tinha resolvido voltar para trás e fazer uma passagem mesmo por cima do posto. Não foi muito perto, mas deu para a foto e tudo. A minha terceira observação de Clanga pomarina em Portugal, e tudo no espaço de uma semana. Isso sim, é que parecia impossível.  Saiu quase de imediato um post no Facebook “Directly from the field part 2” com uma foto da águia. Os "posts mete-nojo" estavam de volta.




O dia não acabou sem aparecer um tartaranhão-pálido. Um macho. As cunhas pretas nas asas bem nítidas, o voo delicado. Espetacular! Adoro este bicho. 

 
Tartaranhão-pálido (Circus macrourus)

Duas rapinas-raridade num dia. Estávamos claramente na twilight-zone, ou na “zona do lusco-fusco” em Português. Onde é que isto iria acabar? 
Nessa noite escrevi:

"Pois já não sei bem o que dizer.
Mais um dia se passou, pouco ou nada de jeito se viu por cá.

Uns abutres-do-Egipto juvenis com plumagens esquisitas, uma cegonha-preta ou duas e, vá lá, um macrourus, mas muito longe. Nem deu para a foto. Ah! Quase me esquecia de dizer que passou uma Pomarina outra vez. Já não se pode estar descansado.
Amanhã continuamos na luta."

Não sei porquê, sentia que as férias ainda tinham qualquer coisa para dar. “Amanhã continuamos na luta”.


 

sábado, 25 de novembro de 2017

Como ajudei o Big Year WP 2017 em Lisboa

Como ajudei o Big Year WP 2017 em Lisboa


Na 4a feira 22 de Novembro, a equipa sueca fez um convite via Facebook aos birders lisboetas. Qualquer coisa como:

"Estamos cá para a vossa Felosa-sombria.... Apareçam lá em casa 5a à noite que nós fornecemos o vinho e os snacks."


Quem me chamou a atenção para o convite foi o meu amigo Pedro Ramalho. Confesso que ao longo do ano não tenho seguido com grande detalhe as aventuras deles. Fui vendo um post aqui e ali. Contudo, a curiosidade acabou por falar mais alto e decidi aparecer. Era uma oportunidade única de conhecer os futuros recordistas. Do gigantesco universo de observadores lisboetas apenas compareci eu, o Pedro Nicolau e um amigo dele, o Manuel, um birder madeirense.

Foi um serão muito bem passado, onde se falou de muitas histórias, deles e nossas. Com muitos copos à mistura, e onde acabei até por me aperceber que já tinha visto há uns anos um dos elementos, o Mårten Wikström, em Sagres. Ele esteve por lá numa campanha da Strix.



Mais para o final, acabou por vir a lume o facto de terem falhado a fuscatus nesse dia. "Estava a chover, não temos sorte nos twitches", bla bla bla. Quando se falha, a lista de lamentações é sempre bastante extensa. Falo por experiência própria.

Como a partida para as Canárias seria só no dia seguinte ao fim da manhã, eles ainda tinham uma pequena janela para ir a algum lado antes.
Discutimos em conjunto as alternativas, que eram quatro, pelo menos à luz do discernimento que ainda tínhamos depois de uns copos valentes. 


-Deixar a preguiça funcionar e não fazer nada.
-‎Ir para o Campo Grande tentar ver periquitões.
-‎Ir a Sesimbra tentar encontrar a Larus Smithsonianus. Aqui convém referir que teriam apenas uma janela de 40 minutos ou menos.
-‎Tentar outra vez a Fuscatus de 38 Moios. 


Deu para perceber que não estavam de acordo em relação à melhor alternativa, e nem sei bem se havia uma no topo das preferências. Uma coisa é certa, a última hipótese não era de certeza. Tinham saído de lá nesse dia bem molhados e frustrados. O Claes estava completamente contra.

Aí, eu e o Pedro Nicolau demos a nossa opinião, que coincidia. "Se estivesse no vosso lugar, ia outra vez à Fuscatus". Para nós parecia lógico por várias razões, mas a verdade é que só depois de algum tempo é que eles começaram a considerar essa hipótese.
"Se forem ao nascer do sol terão boas hipóteses, porque conheço alguém que já a viu várias vezes nessa altura" , disse eu. "A ave ainda lá está", disse o Pedro.



Estavam a ficar convencidos. Percebi isso quando começaram as perguntas.
"Então mas como é que entramos? O portão só abre às 9 horas", pergunta um. "Têm de ter cartão. ", respondi.
"E onde é que arranjamos isso?"
"Eu tenho um e está ali na minha carteira". Vi-os subitamente a arregalar os olhos e a aumentar o interesse. Parecia o Destino. "Posso emprestá-lo, mas têm de mo devolver amanhã".
"Nos somos credíveis. Podes confiar!" disse o Claes. Confesso que lhe entreguei o cartão a pensar que era a última vez que lhe punha as mãos em cima.
Quando me despedi, desejei-lhes boa sorte e fiquei com aquele nervoso miudinho que tenho sempre que vou tentar ver uma ave. Quase parecia que era eu que lá ia.

No dia seguinte, pelas 9 horas, ao chegar ao trabalho o trânsito estava infernal, devido a um camião avariado mesmo à porta da empresa. Mandei-lhes uma mensagem a dizer para terem cuidado com o trânsito e a resposta veio de seguida. "Já aí deixamos o cartão, e vimos o bicho! Graças a vocês temos a fuscatus!".


"Hi! We already returned the card. And we saw the Warbler!!!
Thanks a million for the help. Thanks to you we got the Dusky!" 


Lindo! De certeza que não fiquei tão feliz como eles, mas fiquei muito contente. Era quase como se fosse uma lifer das minhas. Os conselhos e a ajuda acertaram "na mouche", como disse o Pedro Nicolau.

E foi assim, quase por acaso, que escrevi uma linha naquela aventura Sueca. Afinal parece que sempre havia uma razão para ir àquele apartamento no meio de Lisboa.
Mais uma história para as memórias.

Link do blog do Big Year WP 2017 com a história:
http://www.bigyearwp.com/index.php/2017/11/25/dusk-in-lisbon/


Resta-me, finalmente, agradecer ao Erik, Mårten e Claes por me terem recebido com tanta simpatia na minha cidade. Um grande abraço e boa sorte!



sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Algarve 2017 - Parte VI - Regresso com Rüppel

05/10 Sagres
O Regresso com Rüppel

Após um interregno de três dias em Lisboa, voltámos a Sagres para o Festival.


Grifo-de-Rüppel

Este fim de semana grande no Algarve já estava previsto, mas com o objetivo Pomarina em mente. Com a observação de dia 28/09 e de 29/09, o objetivo foi mais do que alcançado. Confesso que não senti grande interesse em ir para Sagres “apenas” para o Festival. Contudo, a Sandra continuou a achar que era uma boa ideia e nem foi preciso grande conversa para decidirmos que mantínhamos o plano. Para o Sul e em força!
Fomos para baixo sem stress nem o “sangue nos olhos” de querer ver uma ave em especial.



Dia 5 de manhã lá estava eu na Cabranosa. Where else?

Águia-cobreira

Feriado e dia de festival significa “muita” gente. Pelo menos para o país onde nos encontramos.
Como sem stress é mais fácil, foi mais um dia em cheio. Pouco tempo depois de chegar ao posto, passa um pequeno bando de cerca de duas dezenas de grifos com dois Rüppel no meio. E esta, hein?! Quarta observação da espécie em Portugal! E sem dificuldade nenhuma. Normalmente, em Sagres, os Rüppel aparecem misturados em bandos de centenas de grifos, o que não foi, de todo, o caso.

Onde está o Wally?

Para ajudar à festa, ainda se viu uma águia-imperial, uma Bonelli, uma pesqueira. A meio do dia ainda deu para uma pelágica, onde se viram muitos painhos muito perto, uma pardela-preta ou duas e uma sterna que ainda nos deixou a pensar - mas que era uma hirundo - entre outros suspeitos do costume.



Alma-de-mestre
É cavalgar a onda enquanto ela dura…

No post dessa noite, a conversa do costume:

"Depois de três dias de interregno, voltei ao trabalho.
Mais uma vez foi complicado.

Dois grifos-de-Rüppell muito misturados com os outros grifos. Muitos painhos, mas todos muito rápidos. Uma Imperialzita. E pouco mais.
Mais um dia para esquecer..."




Houve alguns comentários, mas o destaque vai para um do Matthias, que me fez rir às gargalhadas:  "Irra!!!!!!"




sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Algarve 2017 - Parte V - Pomarina Mete-Nojo



29/09 Sagres
Pomarina Mete-Nojo

Depois do triunfo do dia anterior, resolvi oferecer uma pausa a mim próprio, e fazer algo diferente. Literalmente de um dia para o outro deixei de ter a necessidade de ir todos os dias para a Cabranosa esperar pela Pomarina.

Águia-pomarina


Assim, resolvi ir à Fóia tentar ver melro-das-rochas. O Nuno dos Santos tinha visto um uns dias antes, e achei que era de tentar a sorte. Apesar de ser referida pelos conhecedores como uma ave que ocorre em passagem no Algarve em Setembro, nomeadamente na Fóia, não são muitas as observações registadas. Como curiosidade, a minha primeira observação de sempre de melro-das-rochas foi exactamente aí.
Como esse dia incluía passeio, a Sandra, o meu amuleto da sorte, resolveu acompanhar-me.
Chegámos cedo e tivemos sucesso cerca de meia hora depois. Primeiro só com o telescópio, depois com os binóculos e no fim até deu para a foto. Para completar a visita, conseguimos ver uma Cia, espécie que nunca tinha visto por lá, apesar dos inúmeros relatos.

Melro-das-rochas
 
No final da manhã, resolvemos ir para Sagres para almoçar, o que fizemos na tradicional Adega dos Arcos. Peixe grelhado, claro.
E foi só às 14h que fomos para a Cabranosa, completamente descontraídos. Com a Pomarina do dia anterior, aquilo estava mais concorrido. Entre outros, estava lá o Georg Schreier, à procura da espécie há 15 anos. Há logo um Inglês que se dirige a mim “Hoje vim para cá para ver se aproveitava a tua sorte”. A esperança é tramada. Já num dos dias anteriores, o Ricardo Tomé, quando cheguei, disse-me logo “Pronto, hoje vamos ter sorte!”. Mas que raio, pensei, agora a sorte sou eu? Já vim para aqui dezenas de dias secar. Sorte sim, mas tens de a procurar.

Águia-pomarina

Ao fim de pouco tempo, o Sérgio Correia recebe uma chamada do Simon Wates, a dizer que estava a ver uma Pomarina junto à Costa, na direção do Cabo. Em pouco tempo, conseguimos localizá-la. A luz não era a melhor mas paciência. De repente, alguém se lembrou de olhar em volta e reparou que o Georg não estava connosco. Realmente, ele tinha resolvido ir tirar umas fotos lá para trás, não sei onde. “Alguém que ligue ao Georg!”, disse o Sérgio. Ele tentou, eu também. Calhou ser a minha chamada a que ele atendeu. “Georg, anda para aqui que está aqui a Pomarina!”, disse. Ouvi um “AAAAhhhhhhhhhhhhhh!!” agudo do outro lado. Acho que num raio de 5 metros, toda a gente ouviu, apesar de o telefone não estar em alta voz. Passados uns minutos, já com o Georg, vimos outra vez a ave por cima do pinhal. Desta vez passou mais perto e com melhor luz. Deu para a foto, inclusivamente da parte superior, com o espetacular pontilhado branco dos juvenis. 
Muito mais tarde, na direção das eólicas e já como “mosquito”, até o Tiago Guerreiro, que chegou tarde e a más horas, conseguiu vê-la num dos muitos telescópios disponíveis. No meio do contentamento geral, que incluía a Sandra, resolvi olhar para as fotos que tinha na minha bridge. E não é que os registos eram razoáveis? Tão razoáveis que decidi fazer um post “directly from the field”. Liguei o smartphone à câmara, fiz download da foto, fiz um crop e voilá. “Directly from the field, Águia Pomarina”. Lindo! Tinha inventado uma nova série.



O dia em Sagres ficou completo com uma observação de sisão pousado no Vale Santo. Já tinha visto a espécie por lá mas, sempre em voo.
E foi com mais um desfile triunfal que seguimos para Lagos. Ou, pelo menos, era assim que me sentia.
À noite, mais um post:
“Hoje o trabalho correu mal. Melro-das-rochas, sisão e pouco mais. Ah! Quase que me esquecia de dizer que passou uma pomarina. Enfim, há dias assim. Pode ser que amanhã corra melhor…”


Isto complementado com fotos do melro-das-rochas – muito arisco – sisão – muito longe – e águia-pomarina – muito fraquita. Houve menos comentários do que era costume. Será que havia cada vez menos gente a gostar da brincadeira? A “série mete-nojo” seguia a todo o vapor.
 



sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Algarve 2017 - Parte IV - Buuuuuuummmmm!!!

28/09 Sagres
A Equipa Maravilha

Lá chegou o dia em que ia estar na Cabranosa com o que chamei de “Equipa Maravilha” no meu “post mete-nojo” do dia anterior.
Comecei por passar no Vale Santo, onde voltei a ver os borrelhos-ruivos. “Isto começa bem!”, pensei. Ainda por cima,  vim a saber que houve pessoas que foram antes de mim e depois de mim ao mesmo local e não os viram.
Quando cheguei, já o Alexandre e o Carlos estavam no posto. O Alexandre até me agradeceu o elogio do dia anterior.


Águia Pomarina (foto Alexandre Leitão) 

Aqui cabe recordar a primeira vez que fui à Cabranosa, penso que em Setembro de 2009. Depois de alguma dificuldade em negociar o caminho que não conhecia com o carro muito baixo, lá estacionámos. Sim, fui com a Sandra dessa vez. Na altura aquilo não era tão concorrido como é hoje. Vejo uma figura solitária no monte, com um chapéu de cowboy. Quando lá chegámos, apresentei-me e fiquei a saber que estava a falar com o Alexandre Hespanhol Leitão. Saiu-me a pergunta “Este é que é o ponto de observação da Cabranosa?”. “Sim.” – respondeu. “Mas isto aqui, para se ver alguma coisa tem de se ter telescópio, não?”, perguntei. A resposta veio de seguida. “Nem por isso. Repare naquelas duas cobreiras ali”. Ao fim de tentar uns longos segundos, lá consegui ver dois “mosquitos” no céu e pensei “bom, se não é preciso telescópio para aquilo então devo mesmo ser uma nódoa, ou este gajo é o maior”. Ficámos lá apenas uns minutos. Percebi que tinha mesmo de comprar um telescópio. A Sandra terá ficado a pensar que se era para ver mosquitos não voltava mais ali. Também não fiquei muito impressionado com a simpatia do Alexandre. Realmente não é uma das suas qualidades, sobretudo numa primeira abordagem. Ele diz que melhorou isso com o tempo. Será? A verdade é que hoje em dia, depois de ter estado com ele múltiplas vezes, no campo e fora, sei que é um observador “top” e um “gajo impecável”. Além disso,  dizem que tem sorte. Pode ser verdade mas,  a sorte dá muito trabalho.

Uma das poucas rapinas que passou mais perto nesse dia - Águia-calçada

Voltando a 28/09, o dia não estava grande coisa. Muito calor, as aves muito distantes. Na Cabranosa, o que se via aparecia longe, sem aviso, mesmo por cima das nossas cabeças. O céu sem uma única nuvem tornava ainda mais difícil o “trabalho”. Mas a conversa é sempre animada quando a malta já se conhece e tem os mesmos interesses. E, com os estrangeiros que vão aparecendo, sempre dá para treinar línguas.

Por volta do meio-dia, o Alexandre viu um "mosquito" ao longe. A brincar disse “Olha a Pomarina!”, e tentou apanhar o "mosquito" no telescópio. Quando conseguiu, após uns segundos disse “Olha! Olha… Se calhar é mesmo!” Tentei apanhá-la no meu telescópio, sem sucesso. Nos binóculos consegui, mas era pouco mais que um mosquito. Via-se bem a cor geral escura e a postura com as asas descaídas, bem como a forma de voo particular, que já tinha observado na Europa de Leste. Acabei por usar o telescópio do Alexandre, onde consegui ver tudo o que referi, e ainda a “ferradura” na base da cauda. Ainda deu para ver mais uns detalhes no telescópio do Carlos. O bicho estava longe, mas lá que era uma Águia-pomarina, era. Confirmada pelo Alexandre, pelo Carlos e por mim. Bum!!! 

Águia-pomarina (foto Alexandre Leitão) 

Nem consigo descrever a excitação, adrenalina, e mais umas quantas coisas que senti na altura. Também alívio. Apesar de ser “apenas” uma lifer para Portugal, era um objetivo que já perseguia de uma forma séria há pelo menos cinco anos, e que tinha falhado no ano anterior por dois dias. Exige um sacrifício de dias inteiros de calor, frio, às vezes aborrecimento, num posto fixo. Isso e a sorte de estar lá no dia em que a coisa acontece. Ou então a sorte monumental, que não tive, de estar lá uma ou duas vezes e sair logo o primeiro prémio. 
Não voltei para casa sem um convite do Alexandre para beber uma cerveja na casa da Strix, com o pessoal. Soube que nem ginjas…Fui para casa nas nuvens. Estava mais que visto que estas férias iriam ser inesquecíveis.
O dia acabou com mais um “post mete nojo”. Este sim, já bastante merecedor do epíteto.
“Hoje aquilo na Cabranosa estava mau. Ah! É verdade…Viu-se uma pomarina. Quase que me esquecia. À 39ª foi de vez.” 



Resta deixar aqui um agradecimento ao Carlos Pacheco e ao Alexandre Hespanhol Leitão, pela companhia, expertise, sorte e mais qualquer coisinha. Também ao Alexandre pelas fotos que aparecem nesta crónica.






sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Algarve 2017 - Parte III - Derrota em Basileia

27/09 Sagres
O Benfica perdeu 5-0 em Basileia. Alerta! Vem aí raridade!



Depois de uma sessão matinal na Ponta da Atalaia, fui para a inevitável Cabranosa.


Cartaxo-nortenho - sebe



Ao fim de menos de uma hora, aparece um casal britânico com a notícia de que tinha acabado de ver borrelhos-ruivos no Vale Santo.
Como falhei a ave na Escócia e só a consegui ver a muito custo por cá, tornou-se numa ave fetiche. Rapidamente eu, o Lars – que resolveu aparecer por lá nesse dia - e o Dean Roizer, um companheiro Inglês da Cabranosa, arrancámos no meu carro e fomos fazer um mini-twitch aos borrelhos. Ao fim de uns minutos lá os conseguimos localizar. Não as três aves que tinham sido referidas, mas “apenas” duas. Terceira observação de sempre. "I'd buy that for a dollar!"


 
Borrelho-ruivo


Com a distorção do ar e a distância consegui apenas um registo fraco em vídeo e umas fotos reles. É como estou sempre a dizer, "há sempre um crítico". Como última nota, do que me foi dado a conhecer, ninguém mais nesse dia viu os morinellus.
De regresso à Cabranosa, o dia decorreu com “normalidade”. Três cegonhas-pretas, um abutre-do-Egipto, oito pernis, um grifo, três Bonelli, um pigargus melânico, dois açores, um milhafre-real, um abelharuco. Tudo “normal”.



Açor

De regresso a casa, limitei-me a seguir o mau resultado do Benfica. Tinha um mau pressentimento desde manhã e não assisti ao jogo.
Mas o “post mete-nojo” não podia falhar. Limitei-me a escrever um “Hoje quase não se passou nada.”, com fotos de um borrelho-ruivo e de um açor.
Alguns amigos, que já estavam “picados” com os meus escritos anteriores, explodiram e confrontaram-me com o resultado do glorioso. O mais incisivo foi o Matthias Tissot, que tem raízes ou, pelo menos, algum passado Helvético. Respondi que estava de férias, ao que ele ripostou que estava a ficar farto dos meus posts provocatórios para quem estava a trabalhar. Disse-lhe que como no Algarve não tenho NatGeo Wild, tenho de me entreter de alguma forma. O Pedro Ramalho também me confrontou com o resultado, ao que eu respondi:
“Já disse ao Matthias que estou de férias … Amanhã lá estarei outra vez na Cabranosa, desta vez com a equipa maravilha Carlos Pacheco e Alexandre.”
Seria a premonição que costumo ter de que, sempre que o Benfica Perde, vamos ter espetáculo na passarada nas próximas horas? A verdade é que a minha frase acertou na mouche, como veremos.