sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Algarve 2017 - Parte IV - Buuuuuuummmmm!!!

28/09 Sagres
A Equipa Maravilha

Lá chegou o dia em que ia estar na Cabranosa com o que chamei de “Equipa Maravilha” no meu “post mete-nojo” do dia anterior.
Comecei por passar no Vale Santo, onde voltei a ver os borrelhos-ruivos. “Isto começa bem!”, pensei. Ainda por cima,  vim a saber que houve pessoas que foram antes de mim e depois de mim ao mesmo local e não os viram.
Quando cheguei, já o Alexandre e o Carlos estavam no posto. O Alexandre até me agradeceu o elogio do dia anterior.


Águia Pomarina (foto Alexandre Leitão) 

Aqui cabe recordar a primeira vez que fui à Cabranosa, penso que em Setembro de 2009. Depois de alguma dificuldade em negociar o caminho que não conhecia com o carro muito baixo, lá estacionámos. Sim, fui com a Sandra dessa vez. Na altura aquilo não era tão concorrido como é hoje. Vejo uma figura solitária no monte, com um chapéu de cowboy. Quando lá chegámos, apresentei-me e fiquei a saber que estava a falar com o Alexandre Hespanhol Leitão. Saiu-me a pergunta “Este é que é o ponto de observação da Cabranosa?”. “Sim.” – respondeu. “Mas isto aqui, para se ver alguma coisa tem de se ter telescópio, não?”, perguntei. A resposta veio de seguida. “Nem por isso. Repare naquelas duas cobreiras ali”. Ao fim de tentar uns longos segundos, lá consegui ver dois “mosquitos” no céu e pensei “bom, se não é preciso telescópio para aquilo então devo mesmo ser uma nódoa, ou este gajo é o maior”. Ficámos lá apenas uns minutos. Percebi que tinha mesmo de comprar um telescópio. A Sandra terá ficado a pensar que se era para ver mosquitos não voltava mais ali. Também não fiquei muito impressionado com a simpatia do Alexandre. Realmente não é uma das suas qualidades, sobretudo numa primeira abordagem. Ele diz que melhorou isso com o tempo. Será? A verdade é que hoje em dia, depois de ter estado com ele múltiplas vezes, no campo e fora, sei que é um observador “top” e um “gajo impecável”. Além disso,  dizem que tem sorte. Pode ser verdade mas,  a sorte dá muito trabalho.

Uma das poucas rapinas que passou mais perto nesse dia - Águia-calçada

Voltando a 28/09, o dia não estava grande coisa. Muito calor, as aves muito distantes. Na Cabranosa, o que se via aparecia longe, sem aviso, mesmo por cima das nossas cabeças. O céu sem uma única nuvem tornava ainda mais difícil o “trabalho”. Mas a conversa é sempre animada quando a malta já se conhece e tem os mesmos interesses. E, com os estrangeiros que vão aparecendo, sempre dá para treinar línguas.

Por volta do meio-dia, o Alexandre viu um "mosquito" ao longe. A brincar disse “Olha a Pomarina!”, e tentou apanhar o "mosquito" no telescópio. Quando conseguiu, após uns segundos disse “Olha! Olha… Se calhar é mesmo!” Tentei apanhá-la no meu telescópio, sem sucesso. Nos binóculos consegui, mas era pouco mais que um mosquito. Via-se bem a cor geral escura e a postura com as asas descaídas, bem como a forma de voo particular, que já tinha observado na Europa de Leste. Acabei por usar o telescópio do Alexandre, onde consegui ver tudo o que referi, e ainda a “ferradura” na base da cauda. Ainda deu para ver mais uns detalhes no telescópio do Carlos. O bicho estava longe, mas lá que era uma Águia-pomarina, era. Confirmada pelo Alexandre, pelo Carlos e por mim. Bum!!! 

Águia-pomarina (foto Alexandre Leitão) 

Nem consigo descrever a excitação, adrenalina, e mais umas quantas coisas que senti na altura. Também alívio. Apesar de ser “apenas” uma lifer para Portugal, era um objetivo que já perseguia de uma forma séria há pelo menos cinco anos, e que tinha falhado no ano anterior por dois dias. Exige um sacrifício de dias inteiros de calor, frio, às vezes aborrecimento, num posto fixo. Isso e a sorte de estar lá no dia em que a coisa acontece. Ou então a sorte monumental, que não tive, de estar lá uma ou duas vezes e sair logo o primeiro prémio. 
Não voltei para casa sem um convite do Alexandre para beber uma cerveja na casa da Strix, com o pessoal. Soube que nem ginjas…Fui para casa nas nuvens. Estava mais que visto que estas férias iriam ser inesquecíveis.
O dia acabou com mais um “post mete nojo”. Este sim, já bastante merecedor do epíteto.
“Hoje aquilo na Cabranosa estava mau. Ah! É verdade…Viu-se uma pomarina. Quase que me esquecia. À 39ª foi de vez.” 



Resta deixar aqui um agradecimento ao Carlos Pacheco e ao Alexandre Hespanhol Leitão, pela companhia, expertise, sorte e mais qualquer coisinha. Também ao Alexandre pelas fotos que aparecem nesta crónica.