sábado, 25 de novembro de 2017

Como ajudei o Big Year WP 2017 em Lisboa

Como ajudei o Big Year WP 2017 em Lisboa


Na 4a feira 22 de Novembro, a equipa sueca fez um convite via Facebook aos birders lisboetas. Qualquer coisa como:

"Estamos cá para a vossa Felosa-sombria.... Apareçam lá em casa 5a à noite que nós fornecemos o vinho e os snacks."


Quem me chamou a atenção para o convite foi o meu amigo Pedro Ramalho. Confesso que ao longo do ano não tenho seguido com grande detalhe as aventuras deles. Fui vendo um post aqui e ali. Contudo, a curiosidade acabou por falar mais alto e decidi aparecer. Era uma oportunidade única de conhecer os futuros recordistas. Do gigantesco universo de observadores lisboetas apenas compareci eu, o Pedro Nicolau e um amigo dele, o Manuel, um birder madeirense.

Foi um serão muito bem passado, onde se falou de muitas histórias, deles e nossas. Com muitos copos à mistura, e onde acabei até por me aperceber que já tinha visto há uns anos um dos elementos, o Mårten Wikström, em Sagres. Ele esteve por lá numa campanha da Strix.



Mais para o final, acabou por vir a lume o facto de terem falhado a fuscatus nesse dia. "Estava a chover, não temos sorte nos twitches", bla bla bla. Quando se falha, a lista de lamentações é sempre bastante extensa. Falo por experiência própria.

Como a partida para as Canárias seria só no dia seguinte ao fim da manhã, eles ainda tinham uma pequena janela para ir a algum lado antes.
Discutimos em conjunto as alternativas, que eram quatro, pelo menos à luz do discernimento que ainda tínhamos depois de uns copos valentes. 


-Deixar a preguiça funcionar e não fazer nada.
-‎Ir para o Campo Grande tentar ver periquitões.
-‎Ir a Sesimbra tentar encontrar a Larus Smithsonianus. Aqui convém referir que teriam apenas uma janela de 40 minutos ou menos.
-‎Tentar outra vez a Fuscatus de 38 Moios. 


Deu para perceber que não estavam de acordo em relação à melhor alternativa, e nem sei bem se havia uma no topo das preferências. Uma coisa é certa, a última hipótese não era de certeza. Tinham saído de lá nesse dia bem molhados e frustrados. O Claes estava completamente contra.

Aí, eu e o Pedro Nicolau demos a nossa opinião, que coincidia. "Se estivesse no vosso lugar, ia outra vez à Fuscatus". Para nós parecia lógico por várias razões, mas a verdade é que só depois de algum tempo é que eles começaram a considerar essa hipótese.
"Se forem ao nascer do sol terão boas hipóteses, porque conheço alguém que já a viu várias vezes nessa altura" , disse eu. "A ave ainda lá está", disse o Pedro.



Estavam a ficar convencidos. Percebi isso quando começaram as perguntas.
"Então mas como é que entramos? O portão só abre às 9 horas", pergunta um. "Têm de ter cartão. ", respondi.
"E onde é que arranjamos isso?"
"Eu tenho um e está ali na minha carteira". Vi-os subitamente a arregalar os olhos e a aumentar o interesse. Parecia o Destino. "Posso emprestá-lo, mas têm de mo devolver amanhã".
"Nos somos credíveis. Podes confiar!" disse o Claes. Confesso que lhe entreguei o cartão a pensar que era a última vez que lhe punha as mãos em cima.
Quando me despedi, desejei-lhes boa sorte e fiquei com aquele nervoso miudinho que tenho sempre que vou tentar ver uma ave. Quase parecia que era eu que lá ia.

No dia seguinte, pelas 9 horas, ao chegar ao trabalho o trânsito estava infernal, devido a um camião avariado mesmo à porta da empresa. Mandei-lhes uma mensagem a dizer para terem cuidado com o trânsito e a resposta veio de seguida. "Já aí deixamos o cartão, e vimos o bicho! Graças a vocês temos a fuscatus!".


"Hi! We already returned the card. And we saw the Warbler!!!
Thanks a million for the help. Thanks to you we got the Dusky!" 


Lindo! De certeza que não fiquei tão feliz como eles, mas fiquei muito contente. Era quase como se fosse uma lifer das minhas. Os conselhos e a ajuda acertaram "na mouche", como disse o Pedro Nicolau.

E foi assim, quase por acaso, que escrevi uma linha naquela aventura Sueca. Afinal parece que sempre havia uma razão para ir àquele apartamento no meio de Lisboa.
Mais uma história para as memórias.

Link do blog do Big Year WP 2017 com a história:
http://www.bigyearwp.com/index.php/2017/11/25/dusk-in-lisbon/


Resta-me, finalmente, agradecer ao Erik, Mårten e Claes por me terem recebido com tanta simpatia na minha cidade. Um grande abraço e boa sorte!