sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Algarve 2017 - Parte V - Pomarina Mete-Nojo



29/09 Sagres
Pomarina Mete-Nojo

Depois do triunfo do dia anterior, resolvi oferecer uma pausa a mim próprio, e fazer algo diferente. Literalmente de um dia para o outro deixei de ter a necessidade de ir todos os dias para a Cabranosa esperar pela Pomarina.

Águia-pomarina


Assim, resolvi ir à Fóia tentar ver melro-das-rochas. O Nuno dos Santos tinha visto um uns dias antes, e achei que era de tentar a sorte. Apesar de ser referida pelos conhecedores como uma ave que ocorre em passagem no Algarve em Setembro, nomeadamente na Fóia, não são muitas as observações registadas. Como curiosidade, a minha primeira observação de sempre de melro-das-rochas foi exactamente aí.
Como esse dia incluía passeio, a Sandra, o meu amuleto da sorte, resolveu acompanhar-me.
Chegámos cedo e tivemos sucesso cerca de meia hora depois. Primeiro só com o telescópio, depois com os binóculos e no fim até deu para a foto. Para completar a visita, conseguimos ver uma Cia, espécie que nunca tinha visto por lá, apesar dos inúmeros relatos.

Melro-das-rochas
 
No final da manhã, resolvemos ir para Sagres para almoçar, o que fizemos na tradicional Adega dos Arcos. Peixe grelhado, claro.
E foi só às 14h que fomos para a Cabranosa, completamente descontraídos. Com a Pomarina do dia anterior, aquilo estava mais concorrido. Entre outros, estava lá o Georg Schreier, à procura da espécie há 15 anos. Há logo um Inglês que se dirige a mim “Hoje vim para cá para ver se aproveitava a tua sorte”. A esperança é tramada. Já num dos dias anteriores, o Ricardo Tomé, quando cheguei, disse-me logo “Pronto, hoje vamos ter sorte!”. Mas que raio, pensei, agora a sorte sou eu? Já vim para aqui dezenas de dias secar. Sorte sim, mas tens de a procurar.

Águia-pomarina

Ao fim de pouco tempo, o Sérgio Correia recebe uma chamada do Simon Wates, a dizer que estava a ver uma Pomarina junto à Costa, na direção do Cabo. Em pouco tempo, conseguimos localizá-la. A luz não era a melhor mas paciência. De repente, alguém se lembrou de olhar em volta e reparou que o Georg não estava connosco. Realmente, ele tinha resolvido ir tirar umas fotos lá para trás, não sei onde. “Alguém que ligue ao Georg!”, disse o Sérgio. Ele tentou, eu também. Calhou ser a minha chamada a que ele atendeu. “Georg, anda para aqui que está aqui a Pomarina!”, disse. Ouvi um “AAAAhhhhhhhhhhhhhh!!” agudo do outro lado. Acho que num raio de 5 metros, toda a gente ouviu, apesar de o telefone não estar em alta voz. Passados uns minutos, já com o Georg, vimos outra vez a ave por cima do pinhal. Desta vez passou mais perto e com melhor luz. Deu para a foto, inclusivamente da parte superior, com o espetacular pontilhado branco dos juvenis. 
Muito mais tarde, na direção das eólicas e já como “mosquito”, até o Tiago Guerreiro, que chegou tarde e a más horas, conseguiu vê-la num dos muitos telescópios disponíveis. No meio do contentamento geral, que incluía a Sandra, resolvi olhar para as fotos que tinha na minha bridge. E não é que os registos eram razoáveis? Tão razoáveis que decidi fazer um post “directly from the field”. Liguei o smartphone à câmara, fiz download da foto, fiz um crop e voilá. “Directly from the field, Águia Pomarina”. Lindo! Tinha inventado uma nova série.



O dia em Sagres ficou completo com uma observação de sisão pousado no Vale Santo. Já tinha visto a espécie por lá mas, sempre em voo.
E foi com mais um desfile triunfal que seguimos para Lagos. Ou, pelo menos, era assim que me sentia.
À noite, mais um post:
“Hoje o trabalho correu mal. Melro-das-rochas, sisão e pouco mais. Ah! Quase que me esquecia de dizer que passou uma pomarina. Enfim, há dias assim. Pode ser que amanhã corra melhor…”


Isto complementado com fotos do melro-das-rochas – muito arisco – sisão – muito longe – e águia-pomarina – muito fraquita. Houve menos comentários do que era costume. Será que havia cada vez menos gente a gostar da brincadeira? A “série mete-nojo” seguia a todo o vapor.